JUSTES A nossa herança cultural também é formada por malhas de afectos que nos ligam aos sítios e às pessoas, definindo e justificando cada vez melhor as viagens que oscilam entre passado e futuro. Referências, laços, percursos e registos que só são valorizados pelos que partilham essa herança.
domingo, 7 de setembro de 2008
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Sebastião Anjinho
As estórias contadas ao canto da lareira ora têm o sabor do real, ora têm o sabor do imaginário... que podem ou não atravessar intactas, diversas gerações, no entanto a sabedoria popular afirma que:" quem conta um conto acrescenta um ponto".
Perderão certamente qualidade ao passar da oralidade para a escrita.
Sebastião anjinho
Sebastião era moço de recados e de trabalho pesado, que foi habituado a obedecer. Desde criança a servir em Justes, para ganhar o seu sustento, aprendeu a ser submisso e obedecer às ordens daqueles que ele entendia serem superiores. Simpático para todos, risonho, afável, com alguma deficiência que se traduzia na má articulação das palavras, alguma descoordenação motora e pouco rasgo nas ideias.
Chegou a idade de ir prestar serviço militar.
Passou na inspecção nem se sabe muito bem como nem para quê, pois as inaptidões eram facilmente visíveis.
Fez uma recruta talvez especial, Lamego ou Santarém, não interessa. Dadas as suas limitações, foi frequentemente alvo das brincadeiras e partidas dos colegas do quartel.
Certo dia mandaram o Sebastião entrar de costas num cacifo metálico, daqueles que servem para guardar algumas peças de roupa que se utilizam nas camaratas militares, e ordenaram-lhe que ergue-se as mãos como se estivesse a rezar e fechasse os olhos.
Tiraram-lhe uma fotografia bem enquadrada e enviaram à pobre mãe que habitava numa aldeia também aqui em Trás-os-Montes.
A mãe analfabeta e temente a Deus, olha a fotografia e começa logo a chorar o pobre Sebastião finado e a rezar-lhe pela alma, coitado do seu menino, na tropa mas ainda anjinho.
Sebastião era moço de recados e de trabalho pesado, que foi habituado a obedecer. Desde criança a servir em Justes, para ganhar o seu sustento, aprendeu a ser submisso e obedecer às ordens daqueles que ele entendia serem superiores. Simpático para todos, risonho, afável, com alguma deficiência que se traduzia na má articulação das palavras, alguma descoordenação motora e pouco rasgo nas ideias.
Chegou a idade de ir prestar serviço militar.
Passou na inspecção nem se sabe muito bem como nem para quê, pois as inaptidões eram facilmente visíveis.

Fez uma recruta talvez especial, Lamego ou Santarém, não interessa. Dadas as suas limitações, foi frequentemente alvo das brincadeiras e partidas dos colegas do quartel.
Certo dia mandaram o Sebastião entrar de costas num cacifo metálico, daqueles que servem para guardar algumas peças de roupa que se utilizam nas camaratas militares, e ordenaram-lhe que ergue-se as mãos como se estivesse a rezar e fechasse os olhos.

Tiraram-lhe uma fotografia bem enquadrada e enviaram à pobre mãe que habitava numa aldeia também aqui em Trás-os-Montes.
A mãe analfabeta e temente a Deus, olha a fotografia e começa logo a chorar o pobre Sebastião finado e a rezar-lhe pela alma, coitado do seu menino, na tropa mas ainda anjinho.
A. Quelhas
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Rua das fontes ou rua de baixo
terça-feira, 2 de setembro de 2008
TERMO DE JUSTES
Termo de Justes
O termo de um território é o limite ou o terminus do espaço que pertence a alguém, a um grupo de pessoas, a uma organização ou a uma instituição.
Será uma linha de fronteira entre interior e exterior, que assegura fisicamente o limite da posse geográfica de um individuo ou colectividade.
O termo de Justes é também o limite dos terrenos das pessoas que habitam a aldeia.
O termo de Justes é também o limite dos terrenos das pessoas que habitam a aldeia.
Essa linha limite nem sempre coincide com o limite do concelho, ou com as divisões administrativas que existem no seu interior.
O termo é um limite de posse, ascentral, herdado através de diversas gerações, cuja visibilidade foi assegurada através de um controle colectivo e anual realizado pelos homens da aldeia, desde tempos remotos, chamando-se a essa acção o “arredondar dos termos”.
A acção obedecia a um ritual de confirmação colectiva do seu território. A linha geográfica do termo, terá sido um dos muitos elementos que contribuiram para a construção da identidade dos habitantes ou naturais de Justes, “invadindo” em vários pontos o concelho de Sabrosa.
Actualmente o “arredondar do termo” já não se realiza. As gerações mais novas desconhecerão o facto e a linha geográfica perder-se-á certamente entre matagais de giestas desconhecedoras também desta ligação das gentes com o território.
Os terrenos de Justes que confrontam com o termo, são os seguintes:
Actualmente o “arredondar do termo” já não se realiza. As gerações mais novas desconhecerão o facto e a linha geográfica perder-se-á certamente entre matagais de giestas desconhecedoras também desta ligação das gentes com o território.
Os terrenos de Justes que confrontam com o termo, são os seguintes:
(Partindo da referência de uma linha de água que é o rio pinhão – ponte pinhão, e no sentido contrário dos ponteiros do relógio.)
Lugar do rio
Vila pés
Fraga de baixo
Vila só
Fraga da negra (entre vila só e caminho para souto de escarão) – (até aqui tudo confronta com o rio) –
Valvelho do fundo
Fundo da outeja
Outeja
Vidual baixo
Vidual de cima
Abelheira
Mouta
Palão
Alto do vidual
Fonte do ouro
Candal
Monte da cumieira (talefe)
Arragais
Lameiras da Póvoa
Murada
Gorgolhocho
Cavaleiro
Feitais
Chão da capela
Mós
Ponte
Castanheiro da vinha
Valderradeiro
Serrinha
Casulos
Mouroa
Lugar do rio
A. Quelhas
Alberto Correia
Pretendo homenagear num dos primeiros posts uma das pessoas mais idosas de Justes, Alberto Correia.
Com mais de 90 anos, caminha com todo o vigor para um século de existência.
Talvez seja a pessoa que melhor conhece Justes e a sua história do século XX.
Talvez seja a pessoa que mais trabalhou nesta terra. Considero-o um individuo sensato, resistente, vigoroso, inteligente, sensível, bonito, honesto e tenho orgulho que seja meu tio.
Alberto Correia é um homem com uma longa história de vida, sabedor de muitas histórias reais e imaginadas, conhecedor de muitos segredos, experiente nos assuntos da cultura popular e ainda hoje, laboralmente activo.
Com mais de 90 anos, caminha com todo o vigor para um século de existência.
Talvez seja a pessoa que melhor conhece Justes e a sua história do século XX.
Talvez seja a pessoa que mais trabalhou nesta terra. Considero-o um individuo sensato, resistente, vigoroso, inteligente, sensível, bonito, honesto e tenho orgulho que seja meu tio.
Alberto Correia é um homem com uma longa história de vida, sabedor de muitas histórias reais e imaginadas, conhecedor de muitos segredos, experiente nos assuntos da cultura popular e ainda hoje, laboralmente activo.
A. Quelhas
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
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