quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Rua Nossa Sra de Lurdes


EMIGRAÇÃO BRASIL SÉCULO XIX

Está em construção um espaço onde pode encontrar os naturais de Justes que emigraram para o BRASIL.

http://emigrantesjustes.blogspot.com/

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Castanhas


A castanha é algo saboroso, nutritivo, que não necessita de tempero nem de preparação especial, possibilitando o consumo cozida, assada, crua ou seca.
No final do mês de Outubro a castanha madura cai espontaneamente, abrindo-se espreitando no meio dos ouriços. Até Janeiro e mais, faz-se o uso da castanha verde, assada, cozida e até sem preparo algum.
Depois, quem quer conservar as castanhas, tem que proceder à sua secagem.
Hoje as castanhas são uma guloseima de Outono, que se come com gosto, quentinhas e boas, mas ninguém abusa, porque engorda, porque gera movimentos de ar desagradáveis e porque são caras, no entanto a castanha teve imensa importância na dieta alimentar dos nossos antepassados de Justes, substituindo por vezes o pão e a batata. A castanha era alimento de ricos e de pobres, consumidas após a refeição ou constituíam a própria refeição, e frequentemente mergulhavam no pote do caldo, formando uma deliociosa sopa adocicada e altamente nutritiva.
A castanha é usada na alimentação desde os tempos pré-históricos.
As castanhas que comemos, frutos do castanheiro, são ricas em amido (hidrato de carbono), o dobro da percentagem das batatas, em vitaminas C e B6 e potássio.
Antes de cozinhadas, deve-se talhar a casca, para que se possa libertar o vapor de água resultante da cozedura ou do assado, evitando que ela estoire ou expluda.

As doenças do castanheiro reduziram muito a sua produção. Nos anos oitenta, em Justes, foram feitas novas plantações mas ainda não se atingiu o número de castanheiros e soutos existentes no século XIX.
Para ampliar o seu tempo de consumo secavam-se as castanhas no caniço, por cima da fogueira que ardia na lage granítica das cozinhas. Em baixo os potes ajeitavam-se ao lume de dia e de noite e o calor elevava-se penetrando no caniço, secando o miolo e facilitando a separação da casca e da camisa. O seu tempo de secagem é de cerca de 30 dias.
O caniço é uma estrutura de ripado de madeira, com uma malha que permite não deixar cair as castanhas e ao mesmo tempo deixa passar o calor que irá secar as castanhas. Este processo caiu em desuso.
Em Justes nunca houve o hábito de transformar a castanha seca em farinha. Quando as pessoas iam para o campo trabalhar levavam sempre algumas castanhas secas no bolso, para assim enganarem a fome.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

No dia da consoada


"No dia da consoada o sino repica desde o meio-dia até à meia noite e vulgarmente são as crianças que o tocam de dia e os homens à noite.

A gente nova leva enormes cepas de árvore para junto do Cruzeiro de Nossa Senhora das Dores no Boal onde durante toda a noite até à manhã de Natal arde a fogueira e, junto dela, a juventude se diverte... e aquece.

Na ceia da consoada fazem parte além das tradicionais batatas cozidas, com bacalhau e couve troncha, bolos de bacalhau, rabanadas, sonhos, bolinhos de chila e de abóbora."


Excerto de Trabalho de liguistica de autoria de Silvia Afonso, 1968

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Fogueira de natal

É Natal, está tudo preparado para a grande fogueira que se faz no largo do Boal.

Esta é uma tradição que passa de geração em geração, mas tem como origem os nossos ascendentes pagãos da era pré-cristã.

O chamado Solstício de Inverno, é o dia mais curto e a noite mais longa do ano, que acontece por volta do dia 21 de Dezembro, na mudança do Outono para o Inverno.

Na sociedade actual ocidental, a festa do Solsticio de Inverno é representada pelo Natal.

O Natal, que acontece alguns dias após o Solstício de Inverno e que celebra o nascimento espiritual de Jesus Cristo, é realmente a versão cristianizada da antiga festa pagã da época do Natal.

A fogueira de Natal era acesa para dar vida e poder ao sol, que, pensava-se, renascia no Solstício do Inverno. Tempos mais tarde, o costume da fogueira ao ar livre foi substituído pela queima dentro de casa de uma acha e por longas velas vermelhas gravadas com esculturas de motivos solares e outros símbolos mágicos. Como o carvalho era considerado a árvore Cósmica da Vida pelos antigos druidas, a acha de Natal é tradicionalmente de carvalho. (...)

Justes mantém-se fiel ao costume pagão. Troncos enormes são localizados no largo do Boal, uns dias antes do Natal, e ardem pela noite fora, de 24 para 25 de Dezembro, representando a coesão desta comunidade rural.
Depois da consoanda, crianças, jovens, adultos e anciãos, vão-se juntando à volta da fogueira, convivendo pela noite fora através da conversa, da comida e da bebida, por vezes animada com música popular.

A grande fogueira é unica no ano.

Estarei lá!



(voltarei mais tarde a este assunto interessantissimo da cultura pagã)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Expressões II


"Não tirar maquia"- Não tirar rendimento do trabalho realizado.

"Botar um chaço" – reconstruir o calcanhar de uma meia de lã.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008