quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Aniversário de Matilde Correia



Hoje esta senhora faz 94 anos.
São 94 anos feitos de muitas histórias, conservadas numa memória fabulosa.
Analisa e profere com lucidez tudo o que se passa à sua volta. É daquelas pessoas que servem de modelo ao envelhecimento.
É minha tia e para mim é a minha terceira mãe.
Hoje D. Matilde Correia faz 94 anos, reunindo toda a família mais próxima à volta do seu bolo de aniversário, num sitio que se espera agradável e fresco, rodeado de flores que ela cuida extremosamente.
Parabéns Matilde!!!!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Análise de um quarteirão

 

Análise de um quarteirão por Anabela Quelhas

LOCALIZAÇÃO - Justes

Confrontações

Nordeste – Rua Dr. César Torres (caminho de Trás Celeiros)

Sudeste – Rua Dr. Otílio Figueiredo

Sudoeste – Rua da Pereira

Noroeste – Rua Alcides Boal

Implantação: Lotes rústicos e urbanos perfeitamente contidos entre os 4 arruamentos, em que os urbanos compõem uma “coroa circular” quase completa, portanto um perímetro fechado ao nível da construção, exceptuando o limite nordeste.  No limite nordeste havia apenas um caminho estreito de piso muito irregular, por onde quase ninguém passava, denominado Trás de Celeiros. A mancha de construção utiliza o artificio materializado pelo chamado passadiço, unindo este quarteirão para a malha urbana localizada a sudeste, em dois pontos. Um deles ainda sobrevive na casa dos Guerra. Existe também uma passagem superior de ligação entre habitações na rua Alcides Boal.

Área construída:

A massa construída forma uma frente contínua virada para a rua, fechando dentro de si os espaços de logradouro. Ao nível das ruas, o utente apenas visualiza as construções e uma ou outra reentrância.

Na área sudeste as construções desenham-se abrindo-se numa curva larga e côncava para acolher um solo granítico, denominado e com função de eira, incluindo também aqui um passadiço secundário. 

Algumas das construções estão datadas, integrando essencialmente os séculos XVIII e XIX.

Todas as construções são de granito, com coberturas em telha cerâmica.

Tipologias originais

Rua Dr César Torres – sem construções - topo aberto

Rua Dr. Otílio Figueiredo– 1 piso – lojas de animais e arrecadações; 2 pisos - R/chão (lojas de animais ou arrecadações); 1º andar (habitação). Utilização de 3 passadiços.

Sudoeste – Rua da Pereira – 2 pisos – R/chão (lojas de animais ou arrecadações); 1º andar (habitação)

Noroeste – Rua Alcides Boal - R/chão – 2 pisos – R/chão (lojas de animais ou arrecadações); 1º andar (habitação).

A maioria das construções apresentam alçados muito fechados para a rua, apenas com as aberturas essenciais e abrem-se para o interior do quarteirão, através de escadas abertas e varandas, acolhendo na traseira os espaços de maior vivência familiar e no desenvolvimento de algumas tarefas agrícolas.. Apresenta-se como excepção a casa dos Fontes (esquina da rua da Pereira e rua dr Otilio Figueiredo) e casa dos Condes (rua Dr Otílio Figueiredo).

Algumas habitações apresentavam ligações permitindo o acesso fácil entre elas e pequenos apontamentos de alguma erudição - salas com tecto de maceira, bancos de janela, armários embutidos, registo da era na porta principal, etc.  

Áreas não construídas (rústicas) – localizam-se no interior do quarteirão e são encerradas, fechadas para as ruas, excepto a nordeste. Denominam-se quinteiros e todos eles ligam-se âs habitações e arrecadações. Estes quinteiros possuem ou não pequenos muretes divisórios. Existe um caminho pedonal de consortes que atravessa em linha recta na direção noroeste para sudeste, sendo o eixo de ligação entre as várias áreas.

Os quinteiros e o eixo de ligação, permitem que se estabeleça uma fácil e rápida ligação entre as construções e entre as duas ruas opostas. No limite sudeste deste caminho existe uma ligação fácil para a eira.

Os quinteiros são explorados como hortas pontuados por árvores de fruto (pereiras, macieiras, cerejeiras)

Ocupação:

Todo este aglomerado pertencia a pessoas da mesma família: Palheiros, Forcado, Torres, Fontes, Guerra e Condes. Neste momento nem todas pertencem aos descendentes.

Integração no aglomerado de Justes:

Quem percorre as ruas da aldeia, não percebe toda esta estrutura que caracteriza o quarteirão em causa. As ruas dão continuidade à malha urbana, a linguagem arquitectónica está integrada e apenas os passadiços assumem-se como elementos invulgares. Porém este quarteirão é distinto do resto da aldeia, é ambivalente nas ligações, permite o isolamento e permite as ligações, o que lhe confere uma privacidade discreta em relação ao resto da aldeia. Provavelmente a maioria dos habitantes de Justes desconhecem esta situação e nunca presenciaram a vivência que se praticou em 3 séculos no seu interior.
 
 


domingo, 24 de agosto de 2014

CALDO DE FARINHA



 
Caldo confeccionado em Justes pelas melhores cozinheiras do antigamente, considerado uma verdadeira especialidade. Vi fazer algumas vezes à minha mãe.
 
Ingredientes:
  • farinha de milho branca
  • couve galega
  • água
  • azeite
  • unto
  • sal
  • carne de porco em vinha d’alhos
 
Confecção:
Numa panela com água a ferver, tempera-se com  de sal,  fio de azeite, unto e carne previamente temperada em marinada de vinha d’alhos. Junta-se couve galega segada (não muita quantidade). Deita-se então na panela farinha de milho que entretanto se desfez num pouco de água fria. Deixa-se cozer bem a farinha mexendo de vez em quando para não encaroçar. Caso esteja a ficar muito grossa, acrescenta-se mais água (a textura deverá ficar como a da papa Cérelac). Quando estiver quase pronta rectifica-se o sal e deita-se uma colher de sopa de vinagre (facultativo). Serve-se bem quente.
Receita de Rosália Palheiros e Matilde Correia
 

sábado, 23 de agosto de 2014

1ª guerra mundial (1914-1918)


Também temos os nossos heróis.
A propósito da 1ª Guerra Mundial (1914), da qual se comemora agora o primeiro centenário, pretendo realçar os nomes dos nossos combatentes que foram alistados nos grupos que combateram em:
 França: António Catarino, José Ribeiro e António Panelas.
Angola: Artur do Ferreiro e António Maria Machado (casado em Justes com Preciosa Palheiros)

Enquadramento histórico

O conflito mundial que envolveu as grandes potencias a nível mundial, que se organizaram em duas frentes:
-  Aliados (França, Inglaterra e Rússia)
- Impérios centrais ( Alemanha, Áustria, Hungria e Itália).

 Portugal participou nesta guerra ao lado dos Aliados.
Nos primeiros anos foram enviados soldados para as ex-colónias portuguesas, Angola e Moçambique, territórios ameaçados pela Alemanha, e posteriormente em 1917, os soldados portugueses foram enviados para Flandres.
A participação de Portugal neste conflito mundial envolveu a mobilização de 200 mil homens. !0 mil homens morreram, milhares ficaram feridos. Foi um esforço muito superior à capacidade deste país.
Dos homens mencionados de Justes, António Maria Machado era sargento, os outros não tinham qualquer patente.
Esta foi a guerra mais mortífera de todas. A vida nas trincheiras era dura (europa).
A trincheira era uma escavação linear no solo. As valas eram escavadas no chão pelos próprios soldados, com cerca de dois metros de profundidade e vários quilômetros de extensão . nelas milhões de soldados ficaram sujeitos à fome ao frio e ao medo constante da morte por bombardeios, granadas, tiros e doenças.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os nomes e as origens


 
 
Tenho organizado os meus antepassados em 7 árvores genealógicas, para entender as ligações entre os seus elementos, pois percebi que existe uma malha complexa que une diversas famílias de Justes – os Quelhas, os Alves, os Palheiros, os Almeidas, os Correias, os Silva, os Boais e os Vieiras. Poderei afirmar que as pessoas nascidas em Justes há mais de 50 figuram nestas árvores.

A minha investigação vai até meados do sec XIX. Daí para trás, é um tempo e um espaço desconhecido. Analisando estas árvores parece-me que devo concluir que Justes era uma comunidade muito fechada, e que as relações familiares variavam essencialmente entre estas famílias acrescidas dos Fontes e dos Guerra. As famílias proliferavam na descendência e cruzavam-se entre si através do casamento. Este esquema consanguíneo de casamentos – casamentos entre primos mais ou menos próximos – era assim uma prática para aqueles que permaneceram nesta aldeia com as consequências mais ou menos gravosas ao nível da saúde desta comunidade.

A nossa origem é difícil de determinar com certeza e evidências. A minha investigação, a articulação do conhecimento que fui acumulando ao longo dos anos e as pessoas que fui ouvindo, levam-me a construir uma teoria apenas minha, sujeita a contestação e aberta a alterações.

Tal como uma parte da população portuguesa, seremos provavelmente descendentes de cristãos novos que se refugiaram em terras transmontanas, depois de perseguidos e expulsos de Espanha no séc. XV. Gentes que pretenderam ficar por ali esquecidos da inquisição, livrando-se da fogueira, mudando de nome e aparentemente assimilando novos costumes, tentando limpar o sangue.

Se consultarmos a listagem de nomes adoptados pelos cristãos novos, encontramos os SILVA, os CORREIA, os ALVES, os ALMEIDA, os VIEIRA, os FONTES, os GUERRA…. Curiosamente os QUELHAS não estão lá, os PALHEIROS e FURCADOS também não.

Os Quelhas segundo parece serão originários da zona da Catalunha e sul de França.

Os Palheiros e Furcados, eram um casal: Ana Maria Palheiros e Joaquim Alves Furcado.

Até há pouco tempo eu escrevia Forcado com o, mas recentemente descobri que os assentos de baptismo dos filhos deste casal, aparece sempre FURCADO com u.

O nome FURCADO, incompreensivelmente, extinguiu-se, permanecendo o nome PALHEIROS pela via matriarcal. Não me parece haver qualquer confusão nos registos. Este casal teve 10 filhos e em todos eles se eliminou o nome Furcado, parecendo assim que houve uma vontade assumida de o fazer.

Qual era o enigma dessa família que levou à eliminação do seu apelido?

O significado de Forcado

1.Instrumento agrícola formado por um pau terminado em dois ou três dentes compridos. = FORQUILHA

2. Quantidade de palha, feno, etc., que o forcado levanta de uma vez.

3. Tijolo largo e delgado, também chamado tijolo de forcado.

4. [Tauromaquia]   [Tauromaquia]  Homem que nas touradas faz as pegas, enfrentando o touro corpo a corpo.

domingo, 17 de agosto de 2014

DOMINGO DE FESTA 17 DE AGOSTO DE 2014


FESTA EM HONRA DE NOSSA SENHORA DE LURDES
 procissão