quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Avelino de Sousa Campos

 Avelino de Sousa Campos Nasceu no lugar do Prado (Borbela), em 10 de Novembro de 1905, e foi baptizado, em 19 de Fevereiro de 1906, na igreja de Borbela. No assento de baptismo vem referido (transcrito sob o n.º 129, do livro 11, de 1924), que foi emancipado por sua mãe, em 27 de Outubro de 1924 (ADVR/Registo de baptismo n.º 11 de 1906 – Borbela). Casou com D. Maria Jenny Fernandes e Silva de Sousa Campos que foi professora da Escola Industrial e Comercial de Vila Real. Foram pais de Teresa da Silva de Sousa Campos, nascida em S. Pedro (Vila Real), em 21 de Janeiro de 1946. (ADVR/Registo de passaporte nº 501/1964, de 4 de Agosto de 1964). Avelino de Sousa Campos licenciou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra, foi advogado e professor. Foi Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, nomeado em 30 de Novembro de 1944 (Diário do Governo, nº 289, de 13.12.1944) tendo sido exonerado, a seu pedido, em 31 de Outubro de 1947 (Diário do Governo, nº 259, de 6.11.1947). Foi deputado da Assembleia Nacional na V Legislatura (1949-1953). As suas intervenções parlamentares foram as seguintes: Na 1.ª Sessão Legislativa (1949-1950) – Discussão do aviso prévio do Sr. Paulo Cancela de Abreu sobre a crise do turismo em Portugal. Considerações sobre o vinho do Porto, Federação dos Vinicultores da Região do Douro e plantio da vinha. Na 2.ª Sessão Legislativa (1950-1951) – Justificou um aviso prévio, que apresentou, relativo a assuntos judiciais. Referiu-se à pretensão de uma anexação de freguesias a outro concelho. Na 3.ª Sessão Legislativa (1951- 1952) – Não registou intervenções. Na 4.ª Sessão Legislativa (1952-1953) – Tratou da situação gravosa das empresas concessionárias de volfrâmio em certas regiões do País. Discutiu, na generalidade, a proposta de lei relativa ao Plano de Fomento 3 . Foi procurador à Câmara Corporativa em 1965, 1969 e 1973, como representante da lavoura e das entidades patronais 4 . Na qualidade de procurador à Câmara Corporativa participou na XI Legislatura (1973-1974), no Projecto do IV Plano de Fomento para 1974-1979 (Continente e Ilhas) – Anexo IV – Agricultura, 3 https://app.parlamento.pt/PublicacoesOnLine/DeputadosAN_1935-1974/html/pdf/c/campos_ avelino_de_sousa.pdf 4 ALMEIDA, Maria Antónia Pires de (2014) – Dicionário Biográfico do poder local em Portugal 1936-2013 – e.book, Lisboa, 2014, ISBN 9789892039886 - 18 - Silvicultura e Pecuária 5 . Foi Presidente da Comissão Distrital da União Nacional e diretor do jornal Ordem Nova, órgão oficial da União Nacional no distrito de Vila Real. Foi Presidente do Grémio da Lavoura de Vila Real, presidente da Federação dos Grémios da Lavoura de Vila Real e Alto Douro e vogal da direcção da Corporação da Lavoura. Avelino de Sousa Campos viveu no lugar do Prado e faleceu, em Vila Real, em 30 de Março de 1974.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Machados de Justes

 

MACHADOS DE JUSTES

João Gonçalves Costa

Quando, por finais de Fevereiro de 1964, os operários que procediam

à terraplanagem de um terreno onde a firma A. Taveira & Companhia Ld.ª

ia construir a sua fábrica de serração de madeiras, no lugar de Couços,

Justes, ficaram surpreendidos com o achado de cinco pedras que lhes

pareceram invulgares. As estranhas pedras foram guardadas, embora uma

delas infelizmente se tenha extraviado posteriormente.

E  eram,  de  facto,  invulgares.  As  pedras,  que  tinham  sido

primorosamente afeiçoadas há quase 4 mil anos, por homens do Neolítico

ou do Eneolítico, pertenciam a uma classe de instrumentos a que se dá o

nome genérico de machados, quer se destinassem a uso prático corrente,

quer a rituais religiosos, como parece ser o caso destes.

Mais tarde, e não muito longe daquele local, no sítio de Bouças,

apareceu  um  sexto  machado,  um  pouco  menos  perfeito  do  que  os

anteriores, mas com idêntico valor histórico.

Curioso é notar que um dos machados, é feito de fibrolite, rocha que

não se encontra na região, nem sequer na Península Ibérica, o que nos diz

qualquer coisa sobre as migrações e as relações comerciais dos homens

de dois mil anos antes de Cristo. Os restantes são de xisto metamórfico,

rocha vulgar na região.

Combinando estes achados com outros realizados em áreas próximas,

nomeadamente vestígios de cerâmica e monumentos megalíticos, é de

admitir  que  os  homens  que  os  fizeram  e  usaram    se  encontrassem

sedentarizados.

Finalmente, refira-se de passagem que toda a zona de Justes é muito

rica do ponto de vista arqueológico, com importantes vestígios dos tempos

megalíticos, da época castreja, da idade do bronze e da romanização.


in Escapas do Corgo

sexta-feira, 5 de março de 2021

MOREIAS

 



(depois de alguma investigação)

Moreia ou meda [Portugal: Trás-os-Montes] -  Monte de cereais, feno, estrume ou de paus com forma cónica. Em Justes é vulgar utilizar-se para proteger o feno quando chove, visto que o feno bem esticado forma uma camada exterior, impermeável , protegendo as camadas internas.

As moreias ou medas são de fácil construção e de baixo custo, podendo ser feitas no próprio campo de produção do feno ou junto ao estábulo, em local plano, bem drenado.

A sua forma cónica; com altura igual a duas vezes o diâmetro da base, assegura uma maior estabilidade da meda e protecção contra as chuvas.

O tamanho da moreia depende da quantidade de feno, devendo-se limitar a 4 m de altura. Acima disso, o manuseio do feno é dificultado, sendo apropriada a construção de maior número de medas menores, se necessário. A densidade do feno em medas varia de 80 a 100 kg/m3.

A maioria das moreias ou medas possui um mastro de madeira central que garante a estabilidade da mesma. A compactação das camadas de feno, faz-se pisando-as,  até a moreia atingir a altura desejável, observando-se a configuração recomendada.

 “Pentear a moreia”, usa-se o engaço ou o  furcado, para facilitar o escoamento da água da chuva. No final pode-se cobrir o topo com uma lona de plástico, protegendo-a contra as chuvas.

Moreia  é uma palavra de origem latina, porém, é curioso, existe a mesma palavra para designar a acumulações de fragmentos rochosos transportados pelos glaciares.

Os glaciares são enormes massas de gelo que se deslocam sob a acção da gravidade (escorrem das montanhas), arrastando consigo fragmentos que são depositados nas partes mais baixas sob a forma cónica, designadas por MOREIAS.

AQ

domingo, 27 de dezembro de 2020

Manuel Monteiro

 

O Manuel da Benvida, como era conhecido, para mim tio Manuel, veio de Parada do Pinhão para casar em Justes com Benvinda Palheiros Almeida, minha tia. Quando queriamos brincar com ele chamavamos-lhe carinhosamente Prosa de Parada, que ele aceitava de bom agrado.

Homem trabalhador, honesto, afável, simpático e bom dançarino. Para mim, era o elemento da minha família com mais paciência para as crianças, tendo-me proporcionado vivências inesquecíveis. Trabalhava de sol a sol e ao final da noite, ainda tinha paciência para brincar com os filhos e os sobrinhos. Nunca o vi mal disposto e nunca ouvi uma palavra desagradável dirigida a ninguém.

Vivia numa casa localizada perto da igreja, subdividida em duas habitações, a de cima onde vivia a minha avó e uma das filhas, e a de baixo, onde via o casal mencionado. Esta casa será sempre o principal espaço das minhas memórias. Curiosamente, eram visitados diariamente por vários elementos da família que ao entrarem nessa casa, se dividiam naturalmente da seguinte forma: em cima ficavam os adultos, onde se falava de coisas sérias e os mais novos, discretamente, retiravam-se para a escada de ligação à habitação de baixo, indo ter com o tio Manuel, para se divertirem. Se havia música, as sobrinhas sempre o desafiavam para um bailarico, porque ele dançava muito bem e alinhava connosco em muitas brincadeiras. A partir de certa altura tinha sempre uma garrafa de vinho fino ou jeropiga para brindarmos à vida e ao amor que nos unia.

Quando a vaca paria, chamáva-nos para discretamente espreitarmos para a loja (estábulo), de um sítio estratégico, que tinha para observação, para que a vaca não fosse perturbada. Quando as espigas de milho estavam no ponto, trazia e oferecia-nos espigas assadas, e quando as castanhas do caniço, já estavam secas eram a guloseima do serão. Sempre me permitia sentar-me nas chedas do carro de bois ou então ir dentro da dorna até à vindima. Acompanhava-nos nas festas e arraiais, ocupando na minha memória um lugar muito especial.



quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

o polvo


 

Em Trás-os- Montes, durante o Natal, o polvo disputa com o bacalahau, o principal lugar na mesa.

            «Há duas explicações para este microfenómeno natalício: a nobreza do alimento e a proximidade à fronteira», diz Albertino Gonçalves, professor de Sociologia na Universidade do Minho e especialista em cultura luso-galaica. «O polvo é um produto de alta qualidade e sempre esteve reservado para ocasiões especiais.»

            A tradição do polvo deve-se à nossa proximidade à Galiza, até porque os galegos consideram o rio  Douro é a sua fronteira a Sul.

             final dos anos trinta, depois da Guerra Civil Espanhola, o Estado Novo (regime de Salazar) quis ordenar o abastecimento alimentar do país para travar a fome. O polvo não entrava no menu do regime.

            «Salazar definiu zonas e produtos: cereais no Alentejo, sardinha nos portos pesqueiros, hortícolas e frutícolas no Oeste. E investiu seriamente na frota bacalhoeira, capaz de trazer das águas frias do Norte um ingrediente barato e altamente duradouro», «Nessas contas, o polvo, que vinha essencialmente de Espanha, não tinha lugar.»

            O bacalhau traduz assim o resultado de uma vontade politica, que não é acatada pelas populações fronteiriças, contrariando o menu do fascismo e praticando o contrabando do polvo, muito controlado pela PIDE.

            A proximidade da Galiza, principal centro mundial da pesca de polvo, fazia com que que ele estivesse presente no território nacional, há séculos e entrásse na dieta das gentes da fronteira,  muito antes do bacalhau, assim como em Trás--os-Montes integrando a identidade dos transmontanos.

            O polvo chegava seco em barricas e pendurava-se atrás da porta. Dois dias antes do Natal juntava-se o mulherio nas fontes e mergulhavam-no na água. Depois, era agarrá-lo pela cabeça e batê-lo numa pedra, pelo menos cinquenta vezes, para quebrar os seus filamentos fibrosos que endurecem ao cozer. A congelação permitiu quebrar os tendões do polvo sem esforço, mas antigamente era preciso fazê-lo à força dos braços das mulheres. As mulheres mais idosos de Justes certamente confirmarão.

            Era na mesa de Natal que o polvo se tornava povo. Naqueles tentáculos estava a sua identidade e a sua resistência.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Boas Festas


 

TRADIÇÕES PAGÃS

 

O solstício de Inverno (no Hemisfério Norte) é a noite mais longa do ano, o momento em que os dias começam de novo a crescer, uma vitória simbólica do Sol contra a escuridão. Acontece entre 21 e 22 de Dezembro.

Quando a gelo e a escuridão pareciam não ter fim, os antigos pagãos, nossos ascendentes,  recusavam-se a acreditar na morte do Sol. Em vez disso, juntavam-se para celebrar a luz e a natureza adormecida. Na noite mais longa do ano, quando a escuridão parecia não ter fim, homenageava-se a natureza e faziam-se oferendas aos deuses, pedindo para que o Inverno passasse depressa. Os seus abrigos eram decorados com ramos verdes, e faziam-se grandes fogueiras para afugentar a escuridão, à volta das quais era reunida a família, amigos e vizinhos. O fogo era sempre o elemento central, símbolo da luz e da própria vida.

Como não há festa sem comida, a ceia desta noite era melhorada com aquilo que a natureza dava. Bolinhos de abóbora, castanhas, maçâs, nozes, passas, pinhões, figos secos e… carne de javali ou veado.

Blessed Be (saudação pagã que significa sejam abençoados)